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Não secretor (FUT2): o que muda nas suas bactérias intestinais, na vitamina B12 e no norovírus

A maioria das pessoas nunca ouviu falar do estado secretor. No entanto, ele muda o que a sua parede intestinal oferece às bactérias que lá vivem. Cerca de 1 em cada 5 pessoas de ascendência europeia é não secretora. Eis o que isso significa, o que a investigação mostra e o que não mostra.

O que é um não secretor?

O seu corpo pode colocar açúcares do sistema de grupos sanguíneos ABO, ricos num açúcar chamado fucose, na saliva, no muco e na parede do intestino. Se o faz ou não depende de um único gene, o FUT2. Com pelo menos uma cópia funcional é secretor; com duas cópias inativas é não secretor. Nas pessoas de ascendência europeia trata-se quase sempre da mesma variante, W143X (rs601338), presente nos ficheiros em bruto da 23andMe e da AncestryDNA.

O estado secretor depende de um gene diferente do do grupo sanguíneo. Pode ser do grupo O e secretor, ou do grupo A e não secretor.

O que muda nas suas bactérias intestinais

Muitas bactérias intestinais usam os açúcares com fucose da parede como alimento ou ponto de fixação. Quando esses açúcares faltam, a comunidade bacteriana adapta-se:

  • Bifidobactérias. Num estudo de 2011, os não secretores tinham bifidobactérias menos abundantes e menos variadas do que os secretores, e alguns grupos de bifidobactérias raramente apareciam (Wacklin et al., PLoS One). O estudo era pequeno (14 não secretores), mas trabalhos posteriores apontam no mesmo sentido.
  • Outras bactérias. Num estudo alemão com 8 956 pessoas (Rühlemann et al., Nature Genetics 2021), o estado secretor estava ligado a Roseburia e, juntamente com o grupo sanguíneo, a alguns Bacteroides e Faecalibacterium.

São diferenças entre grupos de pessoas, não um diagnóstico do seu intestino. O que come molda as suas bactérias intestinais muito mais do que o FUT2.

Vitamina B12: o contrário do que dizem muitos sites

Lê-se muitas vezes que os não secretores absorvem menos vitamina B12. O grande estudo genético sobre o tema encontrou o contrário: os não secretores tinham, em média, vitamina B12 no sangue mais alta (Hazra et al., Nature Genetics 2008). A diferença é pequena. O seu estado real de B12 depende muito mais da alimentação (a B12 só vem de alimentos de origem animal, alimentos fortificados ou suplementos), da idade e de alguns medicamentos, como os redutores da acidez e a metformina. Uma análise de sangue mede-o; o seu resultado de FUT2 não.

Norovírus e outras infeções

As estirpes de norovírus mais comuns fixam-se precisamente a estes açúcares com fucose para infetar as células do intestino. Por isso, os não secretores apanham-nas muito menos. Grandes estudos genéticos também ligaram o estado secretor a pequenas diferenças de risco em algumas outras doenças, nos dois sentidos. São médias da população, não previsões para uma pessoa.

Leite materno e bebés

As mães secretoras produzem um açúcar do leite chamado 2'-fucosilactose; as não secretoras, não. Num estudo com 44 pares mãe-bebé, as bifidobactérias surgiam mais tarde e com menos frequência nos bebés amamentados por mães não secretoras (Lewis et al., Microbiome 2015). Um estudo posterior não encontrou efeito mensurável em bebés nascidos por parto vaginal: o efeito contaria sobretudo quando as bactérias intestinais do bebé estão perturbadas por outra razão, por exemplo após uma cesariana. Alguns leites infantis já acrescentam 2'-fucosilactose.

Existe uma dieta para não secretores?

Nenhuma dieta específica foi testada e comprovada para não secretores. O estado secretor é popular entre os seguidores da dieta do tipo sanguíneo, mas um estudo com 1 455 pessoas mostrou que os benefícios dessas dietas não tinham nada a ver com o grupo sanguíneo (Wang et al., PLoS One 2014). Uma abordagem razoável e fundamentada, para todos e sobretudo para os não secretores, é alimentar as bifidobactérias com as fibras que elas fermentam: aveia, leguminosas, cebola, alho-francês, alho, espargos, chicória e bananas ainda um pouco verdes, com uma grande variedade de plantas.

Como saber se é não secretor

Se fez um teste na 23andMe, AncestryDNA, MyHeritage, FamilyTreeDNA ou Living DNA, a resposta já está no seu ficheiro de dados em bruto. O nosso teste gratuito do estado secretor lê-a no seu navegador, sem enviar o ficheiro para lado nenhum, e mostra também a persistência da lactase e a eliminação da histamina no intestino. Os ficheiros MyHeritage não têm o rs601338, por isso lemos o rs492602, que é herdado com ele: nos ficheiros reais que verificámos, os dois coincidiram sempre (49 em 49).

Para a visão geral, leia o que o seu ADN pode e não pode dizer sobre a sua microbiota.

Fontes: Wacklin et al., PLoS One 2011; Hazra et al., Nature Genetics 2008; Rühlemann et al., Nature Genetics 2021; Lewis et al., Microbiome 2015; Wang et al., PLoS One 2014. Informação educativa, não aconselhamento médico.

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