Duas pessoas tomam o mesmo suplemento de vitamina D durante um ano. Uma atinge um nível confortável no sangue, a outra fica baixa. Parte da explicação está num gene chamado GC, e um ensaio aleatorizado publicado em julho de 2026 na Frontiers in Nutrition quantifica-a.
GC, o transportador da vitamina D
O gene GC produz a proteína de ligação da vitamina D, que transporta a maior parte da vitamina D que circula no sangue. Variantes comuns do GC, como a rs7041 e a rs2282679, alteram a quantidade e a forma desta proteína. Em grandes estudos populacionais estão entre as variantes mais ligadas ao nível sanguíneo de 25-hidroxivitamina D, ou 25(OH)D, o marcador que o seu médico mede.
O ensaio
A equipa (Alonso, Ralston e colegas, Universidade de Medicina de Graz e Universidade de Edimburgo) usou dados do VDOP, um ensaio realizado no noroeste de Inglaterra em que 323 pessoas com mais de 70 anos tomaram mensalmente 12 000, 24 000 ou 48 000 UI de vitamina D3 durante 12 meses. Foram estudadas quatro variantes: duas no GC, uma no DHCR7 e uma no CYP2R1.
O que encontraram
- Antes da suplementação: as pessoas com duas cópias da versão menos comum da rs7041 tinham os níveis mais baixos, cerca de 11 nmol/L abaixo das que tinham duas cópias comuns.
- Após 12 meses, em todas as doses: as pessoas com duas cópias comuns do GC atingiam níveis mais altos do que as que tinham duas cópias menos comuns (tabela abaixo).
- Ficar abaixo de 50 nmol/L: duas cópias comuns tornavam cerca de três vezes menos provável ficar abaixo deste limiar, definição habitual de insuficiência (odds ratio de 2,97 para a rs2282679 e de 2,84 para a rs7041).
- DHCR7 e CYP2R1: sem ligação significativa neste ensaio.
| Dose mensal | rs7041: duas cópias comuns | rs7041: duas cópias menos comuns |
|---|---|---|
| 12 000 UI | 62,0 nmol/L | 47,3 nmol/L |
| 24 000 UI | 68,1 nmol/L | 56,8 nmol/L |
| 48 000 UI | 82,4 nmol/L | 75,7 nmol/L |
25(OH)D média após 12 meses de suplementação (ensaio VDOP, Frontiers in Nutrition, 2026). Alguns grupos de genótipo eram pequenos.
O que isto significa, e o que não significa
Os autores são prudentes. Escrevem que genotipar o GC pode ajudar a interpretar os resultados de 25(OH)D em quem toma suplementos, mas não recomendam ajustar as doses com base no gene. Os investigadores também ainda debatem quanto do nível mais baixo corresponde a uma verdadeira carência: menos proteína de transporte pode significar menos vitamina D medida no total, sem necessariamente menos vitamina D disponível para os tecidos. E os participantes tinham mais de 70 anos e eram maioritariamente brancos, pelo que os números podem ser diferentes em pessoas mais novas ou de outras origens.
Na prática, se tiver as versões menos comuns do GC:
- Confie numa análise ao sangue, não apenas na dose. Uma medição de 25(OH)D alguns meses depois de começar ou alterar um suplemento mostra onde está realmente.
- Não aumente a dose por sua conta. Vitamina D em excesso pode fazer mal; os ajustes decidem-se com o seu médico.
- Mantenha o básico: exposição solar sensata quando a estação o permite, peixe gordo, ovos e alimentos enriquecidos.
No seu relatório
A Fuel Your DNA lê o GC (rs7041, rs4588, rs2282679), o DHCR7, o CYP2R1 e o VDR a partir do seu ficheiro de ADN bruto e indica quais os resultados que se aplicam a si, com as fontes alimentares e a análise ao sangue a discutir com o seu médico. Ver os relatórios.
Importante: este artigo é informativo e não constitui aconselhamento médico. Não comece, pare ou altere um suplemento de vitamina D apenas com base nos seus genes: fale com o seu médico, que pode verificar o seu nível no sangue.